A Polícia Civil realizou, na noite da última segunda-feira, 13/1, uma perícia complementar em duas residências apontadas como possíveis locais ligados à execução do policial militar Fabrício Santana, desaparecido após um desentendimento no final da última semana, no Jardim Angela, na zona sul de São Paulo. A nova etapa da investigação utilizou luminol para identificar eventuais vestígios de sangue.

Apurado pela reportagem do Click Regional, o policial foi retirado de um bar da comunidade por criminosos e levado até uma residência próxima, atribuída ao dono do estabelecimento. Há duas casas sob investigação: uma ao lado do bar e outra localizada a cerca de 30 metros, considerada o principal ponto onde teriam ocorrido os atos iniciais da execução.

A linha investigativa apurada aponta que ao perceber que seria morto, o PM teria tentado fugir, caindo sobre o telhado da casa vizinha, o que provocou a quebra de telhas de amianto. Os criminosos teriam ido até o local, capturado novamente o policial e o levado de volta à residência ligada ao dono do bar, onde a morte teria sido consumada.

O imóvel já havia sido periciado anteriormente, mas, diante de novos elementos, a Polícia Civil realizou uma perícia complementar com luminol. O resultado do exame ainda é aguardado. Caso sejam identificados vestígios de sangue, será solicitado exame de DNA para confirmar se o material pertence ao policial.

Durante coletiva de imprensa realizada no último domingo (11), o delegado titular do caso, Dr. Vitor Santos de Jesus, afirmou que a investigação aponta que o PM foi vítima de uma emboscada, após um desentendimento ocorrido no bairro Horizonte Azul, na zona sul de São Paulo.

Segundo o delegado, o policial teria sido levado a um local dominado pelo crime, onde ocorreu um julgamento sumário, prática atribuída a grupos criminosos.

Prisões temporárias

Quatro pessoas estão presas temporariamente, suspeitas de ligação direta com o crime. Os detidos são:

  • Riclécio, apontado como traficante que discutiu com o PM;

  • Isaque, que conhecia o policial e teria o levado até os criminosos;

  • Gleison, suspeito de transportar galões de combustível utilizados para incendiar o veículo da vítima;

  • André, caseiro do sítio onde o corpo foi encontrado.

Relembre

Imagens de câmeras de segurança mostram o carro do policial – circulando pelo local e sendo seguido por outro veículo. O automóvel foi encontrado carbonizado ainda na tarde de quinta-feira (8), em uma área de mata no bairro da Lagoa, em Itapecerica da Serra.

O corpo de Fabrício Gomes de Santana foi localizado no domingo (11), enterrado em um sítio, localizado no bairro Cipó, em Embu-Guaçu, após investigação da Polícia e buscas com cães farejadores. A identificação foi confirmada oficialmente na segunda-feira (12) pela Polícia Técnico-Científica.

Com exclusividade, a reportagem apurou que o corpo do policial apresentava indícios de violência, como mãos amarradas, ferimento de grande extensão na região do crânio e sinais de que a vítima teria sido mantida com um capuz na cabeça. Ainda conforme informações preliminares, o crime pode ter envolvido asfixia por torniquete.

Exames complementares ainda serão realizados para detalhar a origem das lesões.

A Polícia Civil segue com diligências para esclarecer completamente a dinâmica do crime e a participação de cada envolvido.