A Polícia Civil concluiu o segundo inquérito que investigava o atentado a tiros contra o então prefeito de Taboão da Serra, José Aprígio, ocorrido em 2024. A nova apuração foi encerrada sem a identificação dos possíveis mandantes do crime, apesar de novas diligências solicitadas durante a investigação.
O caso ganhou grande repercussão na época após o veículo blindado em que o prefeito estava ser atingido por disparos de fuzil, na Avenida Aprígio Bezerra da Silva, via municipalizada da Rodovia Régis Bittencourt. Um dos tiros perfurou a blindagem e atingiu Aprígio no ombro esquerdo. No carro também estavam o motorista, um secretário e um videomaker.
No primeiro inquérito, concluído em fevereiro de 2025, a polícia apontou que o atentado teria sido forjado para gerar comoção pública durante o período eleitoral e impulsionar a campanha do então prefeito. Segundo a investigação, a ação teria sido articulada por pessoas ligadas ao próprio grupo político de Aprígio.
A suspeita ganhou força após a delação premiada de um dos envolvidos, que afirmou que o ataque teria sido planejado para “parecer real” e repercutir na imprensa, com o objetivo de influenciar a opinião pública. De acordo com o depoimento, o plano previa a contratação de executores e um pagamento que poderia chegar a R$ 500 mil, dividido entre os participantes.
Segundo o Ministério Público, Gilmar de Jesus Santos e Odair Júnior de Santana foram apontados como responsáveis pelos disparos realizados na avenida. Ambos foram presos durante as investigações. Outros três suspeitos permanecem foragidos.
Após o ataque, o veículo utilizado pelos criminosos, um carro vermelho com sinais de adulteração, foi incendiado em Osasco na tentativa de eliminar provas.
Ao todo, cinco acusados foram denunciados como intermediários e executores da ação. Eles respondem por tentativa de homicídio, adulteração de veículo, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A audiência de instrução deverá definir se os réus serão levados a júri popular.
Mesmo com a identificação dos supostos executores, a Polícia Civil informou que não conseguiu apontar quem teria ordenado o ataque, afirmando ter esgotado os meios investigativos disponíveis.
Em depoimento à Justiça, Aprígio negou qualquer participação em uma suposta armação e afirmou desconhecer quem poderia estar por trás do ataque. Ele também relatou que ainda sofre consequências do ferimento causado pelo disparo.
A defesa do ex-prefeito declarou, por meio de nota, que a conclusão do inquérito sem indiciamento reforça a inocência de Aprígio. Segundo o advogado Allan Hassan, não existem provas que o vinculem a qualquer tentativa de simulação do atentado.
“O que evidencia a inexistência de provas que o vinculem à absurda narrativa de que teria participado de qualquer suposta armação”, afirmou o defensor.
Atualmente com 74 anos, Aprígio está afastado da vida política desde que perdeu a disputa pela prefeitura de Taboão da Serra nas eleições de 2024. O caso segue em análise pela Justiça e ainda pode ter novos desdobramentos.
Texto com informações G1 e foto reprodução
