Criança de 10 anos é alvo de ataques em grupo de WhatsApp e família acusa omissão de escola em Itapecerica da Serra
Criança de 10 anos é alvo de ataques em grupo de WhatsApp e família acusa omissão de escola em Itapecerica da Serra
Karen Santiago
Um caso registrado em Itapecerica da Serra acende um alerta sobre os impactos do bullying entre crianças e adolescentes. Segundo informações apuradas pela reportagem, uma criança de apenas 10 anos passou a ser alvo de ataques constantes por parte de colegas, principalmente em um grupo de WhatsApp, onde eram compartilhadas mensagens ofensivas, humilhações e ameaças.
Os conteúdos tinham como objetivo ridicularizar a vítima, com comentários sobre aparência física e constrangimentos frequentes. Há indícios de que as agressões não ficaram restritas ao ambiente virtual e podem ter ocorrido também dentro da própria escola, ampliando ainda mais a gravidade da situação.
As agressões, inicialmente verbais, teriam evoluído para ameaças mais graves, levando a família a buscar ajuda. Os responsáveis afirmam que procuraram a direção da escola particular onde os fatos ocorreram, mas acusam a instituição de omissão. Segundo a família, mesmo após os relatos, não teriam sido adotadas medidas eficazes para interromper os ataques e, ainda a culpa foi atribuída à família por deixar a criança ter acesso ao celular.
Os pais da vítima registraram boletim de ocorrência na tarde de quarta, 1/4 e as autoridades analisam as circunstâncias e as providências cabíveis.
Bullying é crime e pode trazer consequências graves
A prática de bullying, inclusive no ambiente digital — como em grupos de mensagens — é considerada crime quando caracterizada como intimidação sistemática.
A Lei 14.811/2024 tipifica o cyberbullying como crime, com penas de reclusão de dois a quatro anos, além de multa. O Brasil, inclusive, figura entre os países com maior incidência desse tipo de prática, o que reforça a necessidade de atenção e combate.
Além das implicações legais, especialistas alertam para os impactos profundos na saúde mental das vítimas, especialmente crianças. Entre as consequências estão:
ansiedade e depressão
queda no rendimento escolar
isolamento social
baixa autoestima
transtornos emocionais
em casos mais graves, pensamentos autodestrutivos
Caso recente no Ceará reforça gravidade do tema
O alerta ganha ainda mais peso após uma tragédia recente. No último domingo, uma criança de 12 anos morreu no Ceará, em um caso que levanta suspeitas sobre os efeitos do bullying. A situação gerou comoção nacional e reforça a urgência de atenção ao tema.
Responsabilidade coletiva
Especialistas destacam que o enfrentamento ao bullying exige ação conjunta entre escolas, famílias e poder público. Identificar sinais, acolher a vítima e agir rapidamente são medidas fundamentais para evitar consequências mais graves.
O caso segue sob acompanhamento das autoridades competentes.