No final da tarde desta quinta-feira (7), um caminhão carregado com produto químico colidiu contra uma residência na Rua Piqueri, no bairro da Lagoa, em Itapecerica da Serra.
Segundo informações apuradas pelo Click Regional, o veículo invadiu a casa de marcha a ré, destruindo parte significativa da estrutura. Apesar do forte impacto, ninguém ficou ferido — apenas danos materiais foram registrados.
A reportagem apurou que o motorista havia feito uma entrega de produto químico na empresa Miracatiba. Ao seguir orientação do aplicativo de navegação, entrou em uma via íngreme, mas não conseguiu subir a ladeira. O caminhão então desceu de ré e atingiu a residência.
No momento do acidente, os moradores estavam nos cômodos dos fundos e não foram atingidos.
As causas e eventuais responsabilidades pelo ocorrido ainda não foram informadas.
Na primeira sessão após o recesso legislativo, realizada nesta terça-feira (6), os vereadores de Itapecerica da Serra levantaram duras críticas contra a Zona Azul, sistema de estacionamento rotativo cobrado nas ruas centrais da cidade. O debate surgiu após requerimento apresentado pelo vereador Giba, que questionou o funcionamento do aplicativo responsável pela cobrança.
No documento, Giba pediu esclarecimentos sobre se o aplicativo notifica os motoristas para regularização e qual o prazo máximo antes da autuação. Durante a sessão, o parlamentar afirmou que a Zona Azul tem causado transtornos à população.
“O método operante piorou. Recebi diversas reclamações há tempos. O munícipe tem pagado o preço: não consegue regularizar, é gerada multa e pontos na carteira de habilitação”, disse.
O vereador Gustavo Mariani denunciou que houve irregularidades na renovação do contrato durante o governo do ex-prefeito Francisco Nakano. Já Alex Pires reforçou que o sistema não traz benefícios.
“Não traz benefício nenhum, só lesa o bolso da população. Colocaram um carro que não funcionava, é para dificultar e gerar multa. Temos meios para retirarmos essa Zona Azul”, afirmou. “Será que esse mal funcionamento também não cabe uma notificação e multa?”, questionou.
Na mesma linha, Daniel Belchior propôs uma ação conjunta: “Vamos fazer esse compromisso: todos os vereadores entrarem com o pedido para quebra do contrato na próxima sessão”.
Mauro Cavalheiro destacou falhas na identificação de vagas especiais: “O carro não identifica se a vaga é de idoso, autista. Notifica de qualquer forma, só sabe quando chega a multa em casa. Até quando vamos permitir que empresa faça o que quer nessa cidade?”, questionou.
Para o vereador José Martins, a mudança para o sistema digital marcou o início dos problemas. “A empresa sempre foi essa e não se adequou às mudanças. Antes, havia relação com o munícipe, com a notificação em papel. Agora, sem resposta no aplicativo, ficamos para trás. Talvez o aplicativo possa se adaptar; caso contrário, só restará a retirada da Zona Azul, por meio jurídico. Mas, vamos nos debruçar sobre a proposta que recebi de um agente de trânsito [da cidade de Santo André – onde tudo é feito pelo aplicativo – desde as notificações, quanto as formas e onde pagar”, afirmou.
Como funcionava
Até abril, fiscais deixavam um aviso no painel dos veículos estacionados, e os motoristas faziam o pagamento em pontos credenciados.
Funcionamento atual
Desde 28 de abril, a cobrança passou a ser exclusivamente digital. Agora, o munícipe pode ativar a Zona Azul em pontos de venda, pelo aplicativo Panda Parking, via WhatsApp com pagamento por Pix ou pelo app Sem Parar. Além disso, um veículo da empresa contratada circula para identificar irregularidades. Ao todo há trinta minutos de tolerância.
A Zona Azul opera de segunda a sexta-feira das 9h às 18h , e aos sábados, das 9h às 13h.
Após a crise hídrica que deixou moradores de Itapecerica da Serra por mais de 11 dias sem abastecimento de água, a Câmara Municipal aprovou, na primeira sessão após o recesso, realizada nesta terça-feira (5), o substitutivo ao Projeto de Lei nº 1752/2025, de autoria do Coletivo Cléo PQ União e Jones. Todos os vereadores votaram favoráveis a propositura.
A proposta prevê a aplicação de penalidades administrativas às concessionárias responsáveis pelo fornecimento de água e energia elétrica na cidade em casos de falha ou interrupção injustificada dos serviços.
De acordo com o texto, a multa poderá chegar a até mil UFESP por dia e por unidade consumidora afetada, considerando a gravidade da falta, sua duração e eventual reincidência. A penalidade será aplicada mediante processo administrativo conduzido pela Prefeitura, assegurando o contraditório e a ampla defesa.
O projeto, no entanto, exclui situações como manutenção programada comunicada com antecedência mínima de 48 horas, desastres naturais ou problemas de responsabilidade exclusiva do consumidor.
Segundo o Artigo 3º, os valores arrecadados com as multas serão destinados a um fundo municipal voltado para ações emergenciais em saúde, defesa civil e abastecimento durante crises hídricas ou energéticas.
Durante a sessão, o vereador Jones Jr. defendeu a iniciativa com firmeza:
“Esse projeto de lei que apresento hoje – o PL 1752/2025 – não é contra nenhuma empresa. É a favor da justiça, da dignidade e da responsabilidade com quem paga suas contas em dia e recebe o pior serviço possível. Não é justo a população sofrer com apagões, com cortes de água, e ninguém ser responsabilizado por isso. Estamos propondo que as concessionárias que falharem sem justificativa sejam multadas, sim. E mais do que isso: que esse dinheiro seja revertido para emergências em saúde, defesa civil e abastecimento. Ou seja: onde o povo mais precisa. Essa lei diz o seguinte: se a empresa errou, se falhou com a cidade, vai ter que reparar. Vai ter que respeitar o cidadão de Itapecerica. Esse projeto está amparado pela Constituição. É legal, é justo, é necessário", afirmou o vereador Jones Jr.
Agora, o projeto segue para sanção do prefeito Ramon Corsini e, em seguida, deverá ser publicado para entrar em vigor.
No último domingo (3), Itapecerica da Serra foi palco de uma manifestação. Moradores se reuniram no Parque do Povo e caminharam até a Praça da Matriz para protestar contra o Projeto de Lei 2159/21, apelidado de “da devastação”, e também para cobrar soluções para a crise hídrica que atinge a cidade.
Rejeição ao PL da Devastação
O principal alvo dos manifestantes foi o projeto em tramitação no Congresso Nacional, que aguarda decisão do presidente da República. Ambientalistas e moradores pedem o veto integral, alegando que a proposta representa um retrocesso ambiental.
Segundo Adriana Abelhão, vice-presidente da Preservar Ambiental, o PL fragiliza o processo de licenciamento ao permitir auto-licenciamento, em que o empresário apenas preenche um formulário, e autoriza prefeitos a liberar obras viárias em áreas de floresta sem estudos de impacto.
“Se já enfrentamos crise de abastecimento por incompetência da Sabesp, imagina sem água para distribuir?”, questionou a ambientalista, ao lembrar que projetos como o Nova Raposo e o Contorno Rodoviário podem ameaçar a Mata Atlântica, nascentes e rios fundamentais para a Represa Guarapiranga. Caso o PL seja sancionado, entidades prometem recorrer ao STF por inconstitucionalidade.
Indignação com a falta de água
Além da pauta nacional, a manifestação também deu voz à revolta da população com a maior crise hídrica da história recente da cidade. Devido ao rompimento de uma adutora da Sabesp, moradores ficaram mais de 11 dias sem água, situação que gerou indignação generalizada.
Cartazes e palavras de ordem cobravam não apenas o veto ao PL, mas também investimentos urgentes para evitar novos episódios de desabastecimento.